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O Catálogo de Messier |
| Apresentação : Entre os anos de 1758 e 1782, o astrônomo francês Charles Messier compilou uma lista de 110 objetos difusos que poderiam ser confundidos com cometas ao serem observados através dos limitados instrumentos disponíveis na época. No século XVIII, descobrir cometas era um dos pontos altos da Astronomia e poderia trazer muita fama e prestígio aos seus descobridores. No entanto, com o passar do tempo o Catálogo de Messier tornou-se mais conhecido como uma coleção dos mais espetaculares objetos para observação no firmamento. As nebulosas, aglomerados e galáxias descritas no catálogo são alvos prediletos para observação, fotografia e estudo por parte de astrônomos amadores e profissionais de todo o mundo. O site Cosmobrain não poderia, portanto, deixar de prestigiar este famoso catálogo e apresenta a seguir algumas informações sobre o mesmo, bem como uma lista completa incluindo todos os objetos Messier, posições, constelações em que se encontram e outros dados relevantes. |
"O que me motivou a elaborar o catálogo foi a nebulosa que eu descobri logo acima do "chifre" mais austral da constelação de Taurus ( o Touro ) em 12 de setembro de 1758, enquanto procurava observar o cometa daquele ano ... " "Esta nebulosa tinha uma tal semelhança a um cometa, em sua forma e brilho, que procurei me esforçar para achar outras, de modo que os astrônomos não confundissem estas mesmas nebulosas com cometas que estivessem começando a brilhar. Posteriormente, realizei observações com telescópios refratores apropriados para a busca de cometas, e este é o propósito que tive ao montar o catálogo ... " |
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A nebulosa a que se refere Messier e que o inspirou a escrever o seu famoso Catálogo, recebendo a denominação de M1, é conhecida atualmente como a Nebulosa do Caranguejo, situada a 67' ( minutos de arco ) NW da estrela Zeta Tauri, na constelação de Touro. A denominação de Nebulosa do Caranguejo foi primeiramente atribuída pelo astrônomo inglês Lorde Rosse ( 1800 - 1867 ), um homem muito rico que construiu o maior telescópio do mundo em sua época, localizado no Castelo Birr na Irlanda, e quem primeiro detectou a estrutura filamentar da nebulosa em 1844, referindo-se aos filamentos que se estendiam a partir da mesma como se parecessem "as pernas de um caranguejo". Estudos mais recentes demonstraram que esta nebulosa é a remanescente da tremenda explosão de uma estrela como uma supernova que se tornou visível a olho nu durante o ano de 1054 dC e foi registrada por astrônomos chineses. |
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Às vezes também chamados aglomerados galácticos, por estarem situados no interior da Galáxia, próximos ao plano do equador galáctico. Tratam-se de pequenos agrupamentos de forma irregular, contendo desde algumas dezenas até alguns poucos milhares de estrelas ligadas entre si pela atração gravitacional mútua, espalhadas num espaço de algumas dezenas de anos-luz de diâmetro. As componentes de um aglomerado aberto são estrelas jovens da chamada População I , formadas aproximadamente ao mesmo tempo e a partir de uma mesma nuvem de gás. Já foram catalogados até o momento pouco mais de 1000 aglomerados abertos e estima-se que possam existir cerca de 20.000 deles orbitando pela Galáxia. O mais popular deles é o M45 ou Plêiades, visível a olho nu na constelação de Touro. |
Aglomerados globulares são agrupamentos bastante compactos, de forma esférica, reunindo de centenas de milhares até um milhão de estrelas num espaço reduzido de 100 a 300 anos-luz de diâmetro. São conhecidos atualmente cerca de 140 aglomerados globulares e estima-se que o número total chegue a uns 200, estando distribuídos simétricamente ao redor da Galáxia, na região conhecida como halo galáctico . As estrelas que compõe os aglomerados globulares estão entre as mais antigas que se conhece, e as mais velhas da Galáxia, com idades entre 12 a 15 bilhões de anos, pertencendo à chamada População II. Os aglomerados globulares aparecem nos binóculos como pequenas esferas esfumaçadas, como bolas de algodão. Com pequenos telescópios já é possível discernir as suas estrelas mais brilhantes. |
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Nebulosas brilhantes são gigantescas nuvens interestelares de gás e poeira. Constituem alguns dos mais belos objetos para se observar no firmamento e estão associadas à regiões de formação ou nascimento de novas estrelas. As nebulosas de emissão são aquelas que emitem luz. Elas brilham devido à energia de estrelas muito quentes, do tipo espectral O e B, presentes no seu interior. Estas estrelas ionizam os átomos de gás da nebulosa, que passam a emitir radiação e brilham por fluorescência. Algumas nebulosas brilhantes não são regiões de emissão, mas sim nuvens de poeira refletindo a luz de estrelas próximas. Uma nebulosa deste tipo, que brilha pela reflexão da luz das estrelas nas partículas de poeira é chamada de nebulosa de reflexão e possuí coloração típicamente azulada. Temos também as nebulosas escuras, que são nuvens que contém tanta poeira interestelar que acabam por bloquear a luz das estrelas que estão atrás delas ou em seu interior. Aparecem como manchas escuras e irregulares em contraste com um fundo mais iluminado. |
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Nebulosas planetárias estão associadas às fases finais da vida de uma estrela. Na verdade não tem relação alguma com planetas. Este nome é mantido apenas por razões históricas, já que apareciam aos telescópios como pequenos discos esverdeados, lembrando a aparência dos planetas Urano ou Netuno. São formadas por material ejetado das camadas externas de estrelas gigantes vermelhas, formando uma concha de gás ionizado envolvendo a estrela central extremamente quente. As remanescentes de supernova, por outro lado, são nuvens de gás expandindo a altas velocidades a partir da explosão de uma supernova. Uma onda de choque formada após a explosão e constituída por material em expansão a velocidades supersônicas, provoca colisões com as nuvens frias do meio interestelar, provocando a excitação do meio e a emissão de luz. Este tipo de objeto marca o final da vida de uma estrela e está representado no Catálogo de Messier pela M1, a nebulosa do Caranguejo, descrita logo acima. |
São imenos conglomerados estelares, variando aproximadamente entre um milhão a centenas de bilhões de estrelas, além de gás e poeira, unidos pela ação da gravidade. As galáxias constituem os elementos básicos da moderna Cosmologia e formam o "esqueleto" do Universo. Observadas através de potentes telescópios, aparecem como objetos luminosos extensos, com o aspecto de uma nuvem, geralmente achatada ou com formato espiral. O seu brilho deve-se ao grande número de estrelas de que são formadas, de modo que, devido à enorme distância que nos separa delas, nos é quase impossível distingui-las umas das outras. As galáxias apresentam uma grande diversidade de formas e de acordo com a sua estrutura elas dividem-se segundo a classificação de Hubble em elípticas, S0, espirais, espirais barradas e irregulares. O nosso Sol, bem como todas as demais estrelas visíveis a olho nu no firmamento fazem parte de uma enorme galáxia espiral, conhecida como Via Láctea ou simplesmente a Galáxia. |
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| Campo | Descrição | Unidade |
| M | número no catálogo Messier | |
| NGC | número no New General Catalog ( NGC ) | |
| Tipo | tipo do objeto | |
| Class | classificação do objeto | |
| Mag | magnitude visual aparente | mag |
| Tam. Ap. | diâmetro aparente | ( ' ) minutos de arco |
| Dist. | distância aproximada | ( kpc ) quiloparsecs |
| Con | constelação | abreviação -clique aqui |
| AR | ascenção reta | hh mm ss.d |
| DEC | declinação | gg mm ss |
| Nome | nome popular |
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Abreviações utilizadas no Catálogo : Agl. - aglomerado Gal. - galáxia Neb. - nebulosa Rem. - remanescente Abreviações utilizadas no campo Class : No campo CLASS ( Classificação do Objeto ) foram utilizadas abreviações correspondentes a diversos critérios de classificação variando com o TIPO de objeto. Aglomerados abertos - sistema de classificação de Shapley ( tipos a - g ) Aglomerados globulares - sistema de Shapley / Sawyer Hogg ( classes I a XII ) Galáxias - sistema de classificação de Hubble / De Vacoulers Nebulosas - E ( emissão ) , R ( reflexão ) , ER ( emissão e reflexão ), P ( planetária ) Notas : Objeto M24 : Na verdade não se trata de um aglomerado. O que Messier observou nesta posição é na verdade apenas um pseudo-aglomerado, uma região densamente povoada de estrelas espalhadas por milhares de anos-luz através da nossa linha de visão, e visíveis através de uma "janela" por entre nuvens de poeira interestelar. No entanto, algumas fontes registram este objeto como o aglomerado aberto NGC6603, que fica nas proximidades. As evidências apontam que o registro original de Messier se referia na realidade a esta região de alta densidade de estrelas, ou nuvem estelar, visível a olho nu sobre a Via Láctea. Objeto M40 : Trata-se da estrela dupla Winnecke 4, descrita por Messier enquanto ele procurava por uma nebulosa, descrita errôneamente por Johann Hevelius, que deveria estar nesta posição. Objeto M73 : Este objeto, descrito por Messier, não se trata de um verdadeiro aglomerado, mas sim de um asterismo, ou seja um grupo de estrelas aparentemente agrupadas mas que não estão físicamente associadas. Messier descreveu a existência de uma pequena nebulosidade envolvendo estas quatro estrelas, mas parece ter cometido um erro neste sentido, já que as melhores fotografias modernas não registram nenhuma nebulosidade neste grupo. Este engano pode ser justificado pelas grandes limitações técnicas dos telescópios utilizados na época de Messier. Objeto M102 : Existe alguma polêmica em torno do Objeto M102. O próprio Messier e seu assistente Mechain admitiram algum tempo após a publicação do Catálogo que devido a um engano o objeto registrado como M102 seria na verdade uma repetição do objeto M101 ( galáxia NGC5457 ). No entanto, acredita-se atualmente que o objeto observado foi de fato inédito e deve tratar-se da galáxia NGC5866 na constelação de Draco, o Dragão. Observação : Kiloparsec (kpc) : Unidade de distância para objetos distantes. Corresponde a mil parsecs ( pc ). Cada parsec equivale a 3,26 anos-luz. 1kpc = 3260 anos-luz |
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Texto e Catálogo por :
Eduardo Soares
Referências :
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1.Introductory Astronomy and Astrophysics
Zeilik / Gregory
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2.Deep Sky Companions, the Messier Objects
Stephen O'Meara / David Levy
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3.Star Hopping
Robert Garfinkle
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4.Burnham Celestial Handbook
Robert Burnham
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5.SEDS Web Site
Students for Development of Science
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6.Astronomy Magazine
Edição Junho 2000
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Imagens cortesia de:
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M44/M10 ©T.Credner e S.Kohle
Instituto Max Planck , Alemanha
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M1/M20 ©D.Malin
AAO
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