Os
astrônomos medem o brilho aparente
dos objetos que aparecem no céu
através das magnitudes. A escala
de magnitudes é diferente da maioria
das escalas que estamos habituados a utilizar,
pois trata-se de uma escala inversa. Quanto
menor o valor do número, maior
o brilho do objeto. Para dirimir eventuais
dúvidas e entender o significado
da magnitude aparente é essencial
analisar brevemente o processo histórico
milenar que deu origem ao sistema. Este
é mais um exemplo que mostra como
a Astronomia procurou sempre preservar
as suas raízes históricas.
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Origens Históricas do Sistema
de Magnitudes
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Quando observamos o firmamento estrelado, uma
das primeiras coisas que notamos é que
as estrelas possuem brilhos diferentes.
Algumas estrelas chamam a nossa atenção
devido ao seu brilho intenso, existem aquelas
de brilho intermediário, e outras são
tão pálidas que mal podemos enxergá-las.
Tamanha diversidade chamou a atenção
dos antigos observadores da Grécia Clássica,
onde teve origem o primeiro sistema de classificação
das estrelas segundo o seu brilho, e que acabou
originando o moderno sistema que usamos até
os dias de hoje.
Nossa história tem início há
mais de 2000 anos atrás. No ano 129
a.C., o célebre Hipparchus
(ou Hiparco), um dos maiores astrônomos
e matemáticos gregos da Antiguidade,
completou o seu catálogo de estrelas.
A sua obra continha uma lista com cerca de 850
estrelas e foi uma grande realização
para a época. Além disso, o seu
catálogo apresentava as estrelas classificadas
em termos de brilho, segundo um critério
pioneiro. Esta foi a primeira tentativa sistemática
para classificar as estrelas segundo o seu brilho
aparente.
Utilizando
apenas a vista desarmada e demonstrando
uma grande acuidade visual, Hipparchus
agrupou todas as estrelas em seis
classes de brilho, que chamou de
grandezas.
Em seu sistema, Hipparchus classificou
as estrelas mais brilhantes do
firmamento como sendo de 1a.
(primeira) grandeza. Este
grupo era formado por cerca de 20 estrelas,
que seriam as primeiras a surgir após
o pôr do Sol. A seguir, o grupo
formado pelas estrelas um pouco menos
brilhantes era classificado como sendo
de 2a. (segunda) grandeza. As
estrelas de 3a. (terceira) grandeza
eram aquelas um pouco menos brilhantes
que as de 2a. grandeza, e assim
por diante. As estrelas mais pálidas
que podiam ser vistas a olho nu, Hipparchus
classificou como estrelas de 6a.
(sexta) grandeza. |
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| Fig.1:
Hipparcchus
Astrônomo
Grego
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Atualmente, o termo
"grandeza" está obsoleto
e foi substituído por "magnitude".
É provável que antigamente se
acreditasse que o brilho de uma estrela estaria
associado ao seu tamanho, de forma que quanto
maior o brilho aparente, maior seria o tamanho
da estrela (sabemos hoje que isto não
corresponde à realidade), daí
o emprego da palavra "grandeza"
originalmente usado para definir a intensidade
luminosa. Note que a palavra magnitude tem
origem no latim e significa justamente grandeza
ou intensidade.
Quase trezentos anos depois de Hipparchus,
por volta do ano 140 d.C., outro astrônomo
grego chamado Claudius
Ptolemaeus (Cláudio Ptolomeu),
lançava a sua principal obra, o Almagesto.
Este tratado continha uma compilação
de todo o conhecimento astronômico da
época, teorias matemáticas sobre
o movimento do Sol e dos planetas e o seu
próprio catálogo com 1022
estrelas. Neste catálogo, Ptolemaeus
adotou o mesmo critério de classificação
criado por Hipparchus, dividindo as estrelas
em seis grupos de acordo com o seu
brilho. Algumas vezes, Ptolemaeus incluía
ainda os termos "maior" ou
"menor" para distinguir entre
as estrelas de um mesmo grupo.
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Fig.2:
Cláudio
Ptolomeu
Autor
do Almagesto
|
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No
Almagesto existem muitas citações
sobre o trabalho de Hipparchus, que
Ptolemaeus procurou assimilar e desenvolver.
Na verdade, o Almagesto é a maior
fonte do nosso conhecimento sobre Hipparchus,
já que quase a totalidade da
sua obra escrita original, incluindo
o seu catálogo estelar, não
sobreviveu ao desgaste do tempo.
Não podemos deixar de mencionar
que o Almagesto foi uma das obras
mais importantes na história
do pensamento, apresentando uma teoria
geocêntrica elaborada e foi a
obra de referência básica
para o estudo da Astronomia durante
mais de 1400 anos! Desta forma,
o sistema original de classificação
entre a primeira e a sexta magnitudes
se difundiu e passou a ser utilizado
mundialmente. |
Com o advento do telescópio,
entretanto, o antigo sistema de magnitudes
começou a mostrar as suas limitações.
No início do século XVII
(dezessete), o físico
italiano Galileu
Galilei (1564-1642) apontou o seu
telescópio
recém construído para o céu
e descobriu a existência de inúmeras
estrelas até então invisíveis
a olho nu. Percebeu, então, a necessidade
de expandir a escala de magnitudes para abarcar
as estrelas mais fracas em brilho, visíveis
apenas com aparelhos. Em seu tratado intitulado
"Sidereus Nuncius"
(o Mensageiro Estelar) datado de 1610,
Galileu reporta as suas recentes descobertas
e sugere a criação de uma nova
classe de brilho para incluir as estrelas
que estão abaixo do limite visual.
Chamou a essa classe de sétima magnitude.
No
final do século XVIII
(dezoito), o astrônomo
e organista alemão
Frederick William Herschell (1738-1822),
no seu observatório baseado na
Inglaterra, realizou observações
para estudar o brilho comparado das
estrelas, e publicou os seus resultados
numa série de catálogos.
Como resultado desta pesquisa, pôde
notar que uma estrela de 1a. (primeira)
magnitude possuía um brilho aproximadamente
100 vezes maior do que uma pálida
estrela de 6a. (sexta) magnitude.
Herschell foi um dos astrônomos
mais famosos do seu tempo. Entre as
suas realizações, destaca-se
a descoberta do planeta
Urano em 1781. |
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| Fig.3:
William
Herschell
O
Descobridor de Urano
|
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A medida que maiores
e melhores telescópios foram surgindo,
permitindo observar estrelas cada vez mais
tênues, os astrônomos adicionaram
mais classes de magnitudes, estendendo o limite
inferior da escala. Até que, em meados
do século XIX (dezenove), tornou-se
imperativo definir a escala de magnitudes
com maior exatidão, já que a
avaliação visual mostrava-se
cada vez mais subjetiva e imprecisa,
tornando-se inadequada para a observação
científica.
Vamos supor que um observador tenta estimar
o brilho relativo entre uma lâmpada
de 100W e uma segunda lâmpada com o
dobro da potência (200W), colocadas
a uma mesma distância. Para o observador,
a segunda lâmpada não
vai aparecer duas vezes mais brilhante do
que a primeira (no entanto isso seria registrado
por um aparelho). O olho não percebe
a luz de uma maneira simples ou linear, como
poderia se supor, em primeira análise.
Se um objeto tem duas vezes a luminosidade
de outro, não vai parecer duas vezes
mais brilhante.
Como a divisão em classes de magnitudes
foi criada a partir de observações
feitas a olho nu, a escala de brilho estabelecida
desta forma dependia diretamente da resposta
do aparelho visual humano à
variação da intensidade luminosa.
Um modelo matemático para as magnitudes
deveria, portanto, levar em consideração
esse aspecto, ou seja, o fato de que a sensibilidade
do olho humano para as variações
no brilho de uma fonte luminosa não
é linear, mas obedece a uma função
mais complexa. Que função seria
esta?
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Pogson e o Novo Sistema de Magnitudes
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Já na metade do século XIX
(dezenove) haviam evidências de que
a resposta visual a um estímulo
seria proporcional ao logarítimo
da intensidade luminosa. Este resultado
ficou conhecido como o Princípio
de Fechner-Weber, em homenagem
aos seus descobridores, os cientistas alemães
Gustav Theodor Fechner (1801-1887)
e Ernst Heinrich Weber (1795-1878),
considerados os criadores da Psicofísica
e que estudaram a resposta sensorial humana
aos estímulos externos.
No ano de 1856, o astrônomo inglês
Norman Robert Pogson
(1829 - 1891) desenvolveu um modelo matemático
preciso para o sistema de magnitudes estelares.
Ele procurou preservar ao máximo a
concordância do seu novo modelo quantitativo
com o antigo sistema qualitativo criado
por Hipparchus e que estava sendo usado há
séculos. Realizou medidas do brilho
das estrelas com um fotômetro
primitivo (aparelho para medir a intensidade
luminosa que acabara de ser desenvolvido)
e confirmou as observações de
Herschell de que a diferença de brilho
entre uma estrela de primeira magnitude e
uma estrela de sexta magnitude (ou seja, uma
diferença de 5 magnitudes) era de aproximadamente
100 vezes.
Pogson propôs então a
criação de uma escala na qual
uma diferença de 5,0 magnitudes
deveria corresponder exatamente
a uma variação de 100 vezes
no brilho, em outras palavras, deveria
ser igual a uma razão de 100:1
no brilho. A escala resultante de tal definição
era logarítimica
e portanto também estava
de acordo com as teorias de Fechner-Weber
sobre a resposta visual aos estímulos
luminosos.
A magnitude estabelecida desta forma por Pogson,
chamada de magnitude
visual, passa a ser representada
pela letra "m" minúscula
e está definida pela seguinte relação
( Fig.4
abaixo), onde a letra F (de fluxo)
representa o brilho aparente do astro considerado
em unidades de energia:
 |
|
Fig.4
: Fórmula
de Pogson para a magnitude,
onde:
m - magnitude visual
ou aparente da estrela
F - fluxo medido
da estrela (brilho aparente)
c - constante que
define o zero da escala
(log10F
é o logarítimo
de base 10 do fluxo) |
|
|
Em seguida, os astrônomos
efetuaram diversas medidas com fotômetros
acoplados a telescópios e algumas estrelas
bem conhecidas foram tomadas como padrões
de brilho para a escala. O modelo sugerido
por Pogson mostrou-se bastante conveniente,
e já no final do século XIX
(dezenove) a nova escala de magnitudes, cujo
trunfo maior era aliar as raízes históricas
com a precisão dos novos equipamentos,
estava bem fundamentada e era aceita internacionalmente.
::
Aplicando a Escala de Magnitudes
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Uma das primeiras consequências do estabelecimento
de um modelo matemático, foi a expansão
dos limites do sistema de magnitudes
nos dois sentidos da escala, ou seja, tanto
no sentido negativo (das estrelas mais brilhantes),
como no sentido positivo (das estrelas mais
pálidas e invisíveis a olho nu).
Com o uso dos telescópios, podemos enxergar
astros muito mais débeis do que o limite
da visão humana permite e a escala de
magnitudes tornou-se flexível para acomodar
o crescente desenvolvimento dos equipamentos.
Utilizando bons binóculos de 50 mm de
abertura, por exemplo, podemos aumentar o alcance
dos nossos sentidos (lembre-se que a magnitude
6 é o limite da visão humana)
e ver estrelas até a magnitude 8
ou 9. Com telescópios amadores,
é possível enxergar estrelas de
magnitude 12 ou 13. Os maiores
telescópios baseados na Terra podem registrar
astros até a magnitude 28, e o
melhor instrumento atual, o Telescópio
Espacial Hubble, na sua posição
privilegiada fora da influência da atmosfera
terrestre pode alcançar a magnitude 30!
Por outro lado, como a escala de magnitudes
é inversa, ou seja quanto menor
o valor numérico da magnitude maior
é o brilho do astro considerado, foi
necessário adicionar valores menores
do que 1 para descrever os astros mais
brilhantes. Assim, a estrela Vega,
alfa da constelação de Lira, foi
escolhida para representar o zero da
escala, e a sua magnitude é por definição
0,0.
Os astros e estrelas com brilho aparente superior
ao de Vega são descritos através
de valores negativos de magnitude. Portanto,
as magnitudes negativas correspondem a astros
muito brilhantes. Quanto maior o valor absoluto
do número negativo, maior o brilho do
objeto. De fato, somente 4 estrelas são
mais brilhantes do que Vega e possuem magnitudes
negativas, são elas Sírius
(a estrela mais brilhante do céu noturno)
na constelação de Cão Maior;
Canopus na constelação
de Carina; Arcturus na constelação
do Boieiro e Rigil Kentaurus, também
chamada Alfa Centauri, na constelação
de Centauro (o sistema estelar mais próxima
do Sol). Alguns planetas também possuem
a magnitude negativa, sendo Vênus
o mais brilhante de todos, podendo atingir a
magnitude -5. A Lua Cheia tem uma magnitude
aproximada de -13 e a magnitude do Sol
é de -27.
Antigamente, como existiam apenas 6 classes
de brilho, estrelas com luminosidade ligeiramente
diferente recebiam a mesma classificação.
Por exemplo, as estrelas Prócion,
Achernar e Betelgeuse , todas
com brilho aparente semelhante, eram classificadas
como sendo de 1a. magnitude.
Essa discrepância desapareceu no moderno
sistema, onde é possível diferenciar
com precisão o brilho aparente de cada
astro.
As magnitudes são medidas atualmente
com aparelhos sensíveis, que permitem
expressar os seus valores com algumas casas
decimais de precisão. Assim, por exemplo,
a magnitude aparente da estrela Prócion,
no Cão Menor é de +0,38,
um pouco mais brilhante do que Achernar,
na constelação do Eridanus, com
+0,46 e que Betelgeuse, em Órion
com +0,50. Note que o sinal de "+"
usado para designar as magnitudes positivas
é opcional, e pode ser omitido. Na sua
ausência, fica subentendido que o valor
da magnitude é positivo. Outro detalhe
notacional é que não dizemos mais
primeira magnitude, segunda magnitude, .. ,
etc. Ao invés disso, na notação
moderna escrevemos magnitude 1, magnitude 2,
.. , e assim por diante.
A Tabela 1 abaixo
lista os valores aproximados das magnitudes
visuais para alguns astros conhecidos, dos mais
brilhantes (magnitudes negativas) até
os menos brilhantes (maiores números
positivos). Os planetas apresentam variação
no seu brilho aparente com o passar do tempo,
e os valores mostrados a seguir correspondem
aos momentos de maior intensidade.
|
Magnitude |
Exemplos |
|
-27 |
Sol |
|
-13 |
Lua Cheia |
|
-5 |
Planeta Vênus (máximo) |
|
-3 |
Planeta Júpiter (máximo) |
|
-2,9 |
Planeta Marte (máximo) |
|
-1,3 |
Planeta Mercúrio (máximo) |
|
-1,4 |
Estrela Sírius, a mais brilhante
do firmamento |
| -0,3 |
Planeta
Saturno (máximo) |
|
0,0 |
Estrela Vega |
|
1,0 |
Estrela
Spica, na constelação
de Virgem |
|
1,3 |
Acrux, estrela mais brilhante do
Cruzeiro do Sul |
|
1,7 |
Alnilan, estrela central das "Três
Marias" |
|
2,0 |
Polaris, estrela principal da Ursa
Menor |
|
3,6 |
Intrometida, a estrela Epsilon do
Cruzeiro do Sul |
|
5,6 |
Planeta Urano (máximo) |
|
6,0 |
Limite da Visão Humana sem
instrumentos |
|
7,6 |
Planeta Netuno (máximo) |
|
9 |
Limite visual com binóculos
de 50 mm |
|
11,0 |
Próxima Centauri, estrela
mais próxima do Sol |
|
13 |
Limite dos telescópios amadores
de 6 polegadas |
|
13,6 |
Planeta Plutão |
|
28 |
Limite dos maiores Telescópios
terrestres |
|
30 |
Limite do Telescópio Espacial
Hubble |
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|
Tabela
1 : Distribuição
de alguns objetos astronômicos na escala
de magnitudes visual.
::
Comparando os Brilhos das Estrelas
|
Vejamos como usar a escala de magnitudes
para estimar a diferença de brilho
entre duas estrelas. Pela definição
logarítimica da escala, uma diferença
de 5 unidades de magnitude corresponde
a um fator de 100 vezes no brilho
(fluxo luminoso). Portanto, para
cada 1 unidade de magnitude teremos
uma variação equivalente
a um fator de 2,512
vezes
em termos de brilho (ou aproximadamente
2,5).
Este número, conhecido como Fator
de Pogson emerge da própria
definição da escala, visto
que 2,512 multiplicado 5 vezes é
igual a 100, veja:
Uma
diferença de 5 magnitudes equivale
a
2,512 x 2,512 x 2,512 x 2,512 x 2,512
= 100
ou seja, (2,512)5 = 100
Por exemplo, considere duas estrelas chamadas
de estrela A
e estrela B,
com magnitudes 2
e 3 respectivamente.
Como a diferença de magnitudes entre
a estrela mais brilhante (estrela A) e a menos
brilhante (estrela B) é de 1 unidade,
concluímos que a estrela A de magnitude
2 é 2,512 vezes mais brilhante
do que a estrela B de magnitude 3.
Para denotarmos quantas vezes uma estrela A
é mais brilhante do que uma estrela
B, vamos usar a notação (FA/FB),
que representa a razão entre os brilhos
aparentes, também chamados de fluxos.
Assim, FA é o fluxo
(brilho) da estrela A mais brilhante e FB
é o fluxo (brilho) da estrela B menos
brilhante.
Suponha agora que queremos estimar a razão
entre os brilhos aparentes de duas estrelas
A e B
que diferem entre si por 2 magnitudes,
como por exemplo, uma estrela de magnitude 2
e uma de magnitude 4. A diferença
de brilho resultante, ou melhor, a razão
entre os fluxos luminosos
das duas estrelas, representada por (FA/FB),
é:
Uma
diferença de 2 magnitudes (mB
- mA)
= 2 equivale
a
(FA/FB)
= 2,512
x 2,512 = 6,3 vezes
Isto significa que uma
estrela de magnitude 2 é 6,3
vezes mais brilhante do que uma estrela de magnitude
4. Seguindo este raciocínio, agora
para uma diferença de 3 magnitudes,
temos :
Uma
diferença de 3 magnitudes (mB
- mA)
= 3 equivale
a
(FA/FB)
=
2,512 x 2,512 x 2,512 = 16 vezes
Ou seja, uma diferença de 3 magnitudes
corresponde a duas estrelas cujos brilhos diferem
por um fator de 16 vezes, e assim por
diante, a saber:
Uma
diferença de 4 magnitudes (mB
- mA)
= 4 equivale
a
(FA/FB)
=
2,512 x 2,512 x 2,512 x 2,512 = 40 vezes
Notamos que quanto maior a diferença
de magnitudes, a razão entre os brilhos
das estrelas consideradas aumenta por um fator
multiplicativo de 2,512 de forma exponencial.
A Tabela 2
a seguir pode ser usada para facilitar os cálculos
de conversão quando comparamos os brilhos
de duas estrelas. Para cada diferença
de magnitudes entre duas estrelas (mB
- mA), a tabela mostra a razão
entre os fluxos luminosos ou fator de brilho
(FA/FB) correspondente.
Alguns valores estão aproximados.
|
Tabela de Conversão entre
Diferenças de Magnitude
e Brilhos Relativos |
|
Diferença de Magnitudes
(mB
- mA)
|
Fator de Brilho
(FA/FB)
|
|
Diferença de Magnitudes
(mB
- mA)
|
Fator de Brilho
(FA/FB)
|
|
0,1 |
1,1 |
6,0 |
251 |
|
0,2 |
1,2 |
6,5 |
398 |
|
0,3 |
1,3 |
7,0 |
631 |
|
0,4 |
1,4 |
7,5 |
1000 |
|
0,5 |
1,6 |
8,0 |
1585 |
|
0,6 |
1,7 |
8,5 |
2513 |
|
0,7 |
1,9 |
9,0 |
3983 |
|
0,75 |
2,0 |
9,5 |
6312 |
|
0,8 |
2,1 |
10,0 |
10 000 |
|
0,9 |
2,3 |
10,5 |
15 856
|
|
1,0 |
2,512 |
11,0 |
25 131 |
|
1,5 |
4,0 |
12,0 |
63 130 |
|
2,0 |
6,3 |
13,0 |
158 582 |
|
2,5 |
10 |
14,0 |
398 359 |
|
3,0 |
16 |
15,0 |
1 000 000 |
|
3,5 |
25 |
16,0 |
2 513 704 |
|
4,0 |
40 |
17,0 |
6 314 425 |
|
4,5 |
63 |
18,0 |
15 861 835 |
|
5,0 |
100 |
19,0 |
39 844 930 |
|
5,5 |
159 |
20,0 |
100
000 000 |
|
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|
Tabela
2 : Diferenças
de magnitude e razões entre os fluxos
luminosos (brilhos).
Vejamos
alguns exercícios práticos usando
a tabela de conversões. Por exemplo,
qual a diferença de magnitudes
entre duas estrelas para que uma delas tenha
o dobro do brilho da outra? Observando
a tabela acima, vemos que o valor equivalente
ao dobro do brilho, ou seja, o valor 2,0
vezes na coluna "Fator de Brilho",
corresponde a uma diferença de magnitudes
de 0,75. Esta é aproximadamente
a diferença entre as estrelas Vega
(alfa da constelação de Lira e
zero da escala de magnitudes) e a estrela Altair
(alfa da constelação da Águia).
Em outras palavras, para um observador na Terra,
Vega é aparentemente 2 vezes mais brilhante
do que Altair.
As razões de brilhos podem ser multiplicadas
entre si para gerar valores que não estejam
presentes na tabela. Por exemplo, suponha que
queremos saber quantas vezes o Sol é
aparentemente mais brilhante
do que a estrela Sírius. Da Tabela 1, temos que a magnitude aparente
do Sol é de -27 e a de Sírius
é de -1,4. Portanto, a diferença
de magnitudes entre o Sol e Sírius é
:
mSírius - mSol
= (-1,4) - (-27) = +25,6
Como o valor 25,6 não se encontra
na Tabela 2, podemos compor este valor livremente
usando as quantidades da tabela. Uma das opções
é obter o valor desejado de 25,6 somando
as diferenças de magnitude equivalentes
a 20 mais 5 mais 0,6. Assim:
Diferença de magnitude entre
Sol e Sírius = 25,6 = 20,0 + 5,0 +
0,6
Esses valores correspondem aos seguintes equivalentes
em brilho (observe a Tabela 2):
Diferença de magnitude = 20 => Fator
de Brilho = 100 000 000 vezes
Diferença de magnitude = 5 =>
Fator de Brilho = 100 vezes
Diferença de magnitude = 0,6 =>
Fator de Brilho = 1,7 vezes
Somar magnitudes equivale a multiplicar
as luminosidades. Portanto, basta multiplicar
os valores acima :
Razão
entre os brilhos = 100 000 000 x 100 x 1,7
Razão entre os brilhos = 17 000 000
000 vezes
Este resultado mostra que o Sol é aparentemente
cerca de 17 bilhões de vezes
mais brilhante do que a estrela Sírius.
Da mesma forma, usando as tabelas incluídas
nesta seção, podemos estimar
que o Planeta Plutão (m = 13,6) é
aproximadamente 1000 vezes menos brilhante
do que a mais fraca estrela que a vista humana
pode enxergar (m=6), e que o Telescópio
Espacial Hubble consegue registrar com os
seus sensores eletrônicos astros 4 bilhões
de vezes mais fracos do que o limite da nossa
visão!
O sistema de magnitudes que acabamos de descrever
evoluiu a partir de observações
visuais do firmamento e se refere à
faixa do espectro eletromagnético que
conseguimos enxergar com a nossa visão.
Por este motivo, este sistema é denominado
magnitude visual
e normalmente aparece representado
por mv . Existem
outros sistemas fotométricos de magnitude
que foram desenvolvidos para utilização
na Astronomia que levam em consideração
os comprimentos de onda que a vista humana
não pode enxergar. Fotometria
é a área da Astrofísica
que trata da medição da luz
proveniente das estrelas. Os textos de divulgação
e as cartas celestes em geral, se referem
à magnitude visual.
Este é um bom momento para dar uma
olhada na nossa lista das 50 Estrelas mais
Brilhantes do firmamento (clique no link
abaixo). Nesta página é possível
encontrar as magnitudes visuais das estrelas
mais conhecidas além de outras informações,
como as suas distâncias por exemplo.
Os mapas e artigos que compõe a nossa
seção de Reconhecimento
do Céu também
trazem informações sobre as
magnitudes das estrelas. É interessante
observar o céu real e fazer comparações
entre os brilhos das estrelas cujas magnitudes
são previamente conhecidas. Isto permite
desenvolver uma boa noção de
estimativa de brilho pelas pessoas interessadas
em Astronomia.
As
50 Estrelas mais Brilhantes
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