Na noite
do próximo dia 27 de Outubro de 2004 vai valer
a pena ficar acordado até mais tarde. Nesta data
a Lua cheia vai passar lentamente por dentro do cone de
sombra que o planeta Terra projeta no espaço. Será
um Eclipse Total da Lua.
O evento completo terá a
duração de várias horas, tendo início
na noite da quarta-feira
(27/10/2004) estendendo-se durante a madrugada da quinta-feira
(28/10/2004). Caso as condições meteorológicas
ajudem, ou seja, o tempo não esteja nublado ou
chuvoso, os observadores em todo o Brasil e Portugal poderão
acompanhar a lenta evolução das diversas
fases do eclipse.
A partir das 22:14 h (horário de Brasília)
quem estiver observando atentamente a Lua, verá
uma pequena mancha escura surgir na sua borda. Esta mancha
nada mais é do que a sombra da Terra projetada
sobre a Lua. Com o passar do tempo, esta mancha escura
vai avançar lentamente até engolir por inteiro
o disco lunar. Terá início, então,
a fase mais esperada do evento, a Totalidade,
que vai durar cerca de 80 minutos. A seguir, a Umbra
ou sombra escura da Terra, vai progressivamente deixar
o disco lunar, até que por volta de 01:53h (hora
de Brasília), a Lua voltará a ter o seu
aspecto de Lua Cheia.
Mesmo durante a Totalidade, a Lua não ficará
totalmente obscurecida. Devido ao desvio da luz solar
pela atmosfera terrestre, a Lua continuará a receber
uma tênue iluminação. Este é
mais um dos atrativos de um Eclipse Total da Lua, ou seja,
os belíssimos tons coloridos que o nosso satélite
natural adquire durante o evento. Dependendo das condições
atmosféricas, essas cores podem variar entre tons
alaranjados, vermelhos, marrons e cinzas que costumam
mudar bastante de um eclipse para outro.
Para observar este fenômeno não será
necessário nenhum equipamento especial. Ao contrário
dos Eclipses Solares, que exigem filtros especiais para
observação, os Eclipses Lunares, como este
de 27-28 de Outubro, podem ser observados a olho nú
com total segurança. No entanto, quem utilizar
binóculos ou telescópios pode apontar os
seus equipamentos diretamente para a Lua e ver um número
muito maior de detalhes.
A Figura 1
abaixo mostra as regiões geográficas de
visibilidade do eclipse. Desta vez o Brasil
apresentará condições
ótimas para observação do
evento. De qualquer parte do território nacional
os brasileiros estarão bem localizados para acompanhar
plenamente todas as fases do eclipse e a Lua estará
bem alta no céu. Portugal
também poderá acompanhar o eclipse em sua
totalidade a partir da madrugada do dia 28.
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Fig.1
: O mapa acima mostra
as regiões de visibilidade para
o evento. Países na área
branca central poderão
assistir todo o eclipse (esta área
inclui todo o
Brasil e Portugal). Na
área escura será
dia e a Lua não estará
visível. Para as outras faixas,
teremos: A - Lua nascendo enquanto sai
da Penumbra; B - Lua nascendo enquanto
sai da Umbra (parcial); C - Lua nascendo
durante a Totalidade; D-Lua nascendo
enquanto penetra na Umbra (parcial);
E - Lua nascendo enquanto entra na Penumbra;
F-Lua se pondo enquanto deixa a Penumbra;
G - Lua se pondo enquanto deixa a Umbra
(parcial); H - Lua se pondo durante
a Totalidade; I - Lua se pondo enquanto
penetra na Umbra (parcial); J - Lua
se pondo enquanto penetra na Penumbra.
Mapa cortesia
de Fred Spenak/NASA-GSFC.
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Os países situados na região branca
do mapa poderão acompanhar todas as fases do eclipse,
do início ao fim. Essa área inclui o Brasil
e toda a América do Sul, Caribe e América
Central, Leste do México, Centro e Leste dos Estados
Unidos e Canadá, Oceano Atlântico, Portugal,
Oeste Europeu e Oeste da África.
Nas regiões azuis do mapa, os observadores não
verão o eclipse completo, mas apenas algumas das
suas fases, dependendo da sua posição geográfica.
Na faixa azul do mapa onde se lê "Nascer
da Lua", os observadores verão a
Lua nascer com o eclipse já em andamento. As curvas
de contato P1, U1, U2, U3, U4, e P4 correspondem às
fases do eclipse (veja a Figura
1 acima). Para um observador situado a
Oeste(esquerda) de uma determinada curva, aquela fase
do eclipse ocorrerá antes da Lua nascer e portanto
ele não a verá. Por outro lado, se o observador
estiver a Leste(direita) de uma curva de contato, aquela
fase ocorrerá após o nascer da Lua e ele
poderá observá-la.
Para os observadores localizados na segunda região
azul do mapa, denominada "Ocaso da Lua",
a situação é invertida. Aqui a Lua
estará se pondo enquanto o eclipse ainda estiver
em progresso. Neste caso, se o observador estiver situado
a Leste(direita) de uma determinada curva (P1, U1, U2,
U3, U4, or P4) aquela fase do eclipse vai ocorrer após
o Ocaso (pôr) da Lua e ele não poderá
vê-la. Mas se o observador estiver à Oeste(esquerda)
de uma curva de contato, aquela fase ocorrerá antes
da Lua se pôr sob o horizonte, e ele poderá
observar aquela determinada fase do eclipse.
Por último, a região de cor cinza escura
do mapa representa as localidades geográficas onde
nenhuma fase do eclipse será visível.
Observando este mapa de visibilidade, podemos notar mais
uma particularidade dos eclipses lunares,
a saber, o fato de que eles podem ser vistos em uma grande
área do globo terrestre. Em contraste, os eclipses
solares apenas podem ser vistos pelos observadores
que estiverem exatamente no caminho da sombra que a Lua
projeta sobre a superfície da Terra (o que corresponde
a uma faixa bem estreita), o que os torna muito mais difíceis
de se observar do que os eclipses lunares.
O
eclipse de outubro de 2004 será o último
de uma série de 4 eclipses lunares totais seguidos.
Estas sequências de 4 eclipses totais ocorrem de
tempos em tempos e são chamadas de tétrades.
Durante o século XXI (vinte e
um) ocorrerão 8 sequências deste tipo. Após
a tétrade de 2003-2004, a próxima
volta a ocorrer somente em 2014-2015.
No entanto, eclipses lunares e solares ocorrem todos os
anos e são visíveis em algumas partes do
globo, mas nem sempre podem ser vistos a partir do Brasil.
Os eclipses lunares em particular, podem ser observados
com maior facilidade, já que são visíveis
em uma ampla área do globo terrestre. Ao contrário,
os eclipses solares somente podem ser vistos nas localidades
situadas em uma estreita faixa geográfica, e portanto,
são muito mais raros.
O próximo eclipse total da Lua
ocorrerá em 03/Março/2007,
mas a sua visibilidade no Brasil será limitada.
Quando a Lua nascer o eclipse já estará
em andamento e as suas fases iniciais não poderão
ser acompanhadas. Durante a totalidade a Lua estará
com uma altura baixa em relação ao horizonte
e não poderá ser vista em algumas regiões
do território brasileiro. Portugal poderá
acompanhar todas as fases do eclipse.
O eclipse lunar total seguinte ocorrerá em 28/Agosto/2007
e as condições de observação
no Brasil serão ainda piores que no caso anterior.
Desta vez, quando o eclipse começar a Lua estará
se pondo no horizonte Oeste e as fases principais do eclipse
não poderão ser vistas. Nenhuma fase do
eclipse será visível em Portugal.
Somente em 21/Fevereiro/2008 voltará
a ocorrer um eclipse total da Lua em condições
tão favoráveis para os observadores brasileiros
quanto o evento de Outubro de 2004. O eclipse de 2008
será plenamente visível em todo o território
brasileiro e em Portugal.
Este é um bom motivo para não perder o próximo
eclipse do dia 27 de Outubro. Reúna a família
e os amigos, prepare o seu binóculo ou telescópio
e aprecie este belo evento, pois o próximo deste
tipo somente em 2008!
Na próxima parte deste artigo, veja como ocorrem
os eclises da Lua.
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