Toninho escreveu:
Vou tentar explicar porque se acredita que Sobral não foi uma fraude mas, sim, uma demonstração do fato da luz ter massa ("peso") e, portanto, está sujeita a ser desviada na presença de um campo gravitacional.
Se tiver sucesso, vai se poder perceber porque Einstein dizia ( suas palavras exatas estão, se não me engano, no seu livro "Evolução da Física" de 1938 ) que a Relatividade estava implícita na obra do final do séc.XVI do matemático, físico e astrônomo Galileu Galilei.
Se tiverem um pouco de paciência, proponho um experimento imaginário, porém factível.
Imaginemos um elevador que sobe aceleradamente um de nossos edifícios mais altos. Por acelerado quero dizer que sobe cada vez mais rapido, aumentando sua velocidade a cada momento que passa.
Imaginemos, ainda, que o elevador é completamente fechado, exceto por pequeno orifício presente em uma de suas paredes laterais, por onde entra, num dado instante, um flash de luz.
Como a luz leva um certo tempo para atravessar a largura do elevador ( menos que um trilhionésimo de segundo ), o flash atinge a parede oposta àquela pela qual entrou num ponto um pouco abaixo do ponto de entrada, pois neste minúsculo intervalo de tempo, enquanto a luz atravessava o compartimento, o elevador igualmente subiu alguns trilionésimos de milímetro.
Então, para um referencial solidário ao elevador, é como se a luz tivesse peso e fosse puxada para baixo.
Na superfície da Terra, esse efeito é muito pequeno, mas torna-se passível de medição nas imediações do Sol, onde a aceleração devida à gravidade é cerca de 27 vezes maior.
Então, é também por este fato que a posição aparente des estrelas distantes altera-se quando sua luz tangencia um astro massivo.
Esse efeito de "lente gravitacional" tem sido utilizado ultimamente na detecção de planetas extrasolares pois afeta a luz emitida pela estrela que eles orbitam quando passam a sua frente e contém, igualmente, o mesmo princípio que prevê a existência dos chamados buracos negros.
O experimento acima está nas pág. 176 a 182 da edição brasileira de 1966 da livro de autoria de Einstein e Infeld, que mencionei acima, e do qual procurei transmitir a essência.
A trajetória do flash dentro do compartimento, é de um trecho de parábola, conforme já havia sido demonstrado matematicamente por Galileu em seus estudos das trajetórias de projéteis atirados na atmosfera ( pode ser também uma bola de futebol ou uma pedra que joguemos longe) abstraídos, no caso, os efeitos do atrito do ar.
Abraços.
A trajetória da luz dentro do elevador só é uma parábola para os observadores dentro do mesmo porque o elevador está acelerando. Para um observador externo a luz continua em linha reta. De qualquer forma ela não está sofrendo nenhuma aceleração pelo simples fato de penetrar no elevador acelerado. Não existe nenhuma conexão deste experimento com uma aceleração real sofrida por um corpo massivo. O experimento de Galileu estava sujeito à aceleração da gravidade e foi feito com massas reais, não com luz. Porém, antes de tudo não é a "massa" da luz que a faz desviar nas proximidades de um corpo massivo. Se assim fosse seria muito fácil calcular a massa do fóton simplesmente calculando o ângulo do desvio em função da velocidade conhecida da luz, é o mesmo cálculo que se faz quando satélites passam perto de um planeta e sofre um desvio. E aí, Toninho, te arriscarias a calcular a massa do fóton?
O próprio Einstein explicou na sua teoria da relatividade que o que desviou a luz foi a curvatura do
tecido espaço-tempo pela presença de uma grande massa, no caso a do Sol. A luz seguiu em linha reta mas o espaço é que estava curvo. É difícil de entender para nós humanos tão acostumados com nossas 3 dimensões tão arraigadas na nossa mente enquanto na verdade existem 4 dimensões (comprovadas).
Uma observação sobre planetas extrasolares. Não é o efeito de lente gravitacional que se usa para detectá-los. A passagem do planeta na frente da suas estrela é apenas um trânsito parecido com o que ocorreu com Vênus em junho passado. É claro que um planeta passando na frente de uma estrelas vai provocar uma sombra que reduz a sua luminosidade.
Lentes gravitacionais são usadas para detectar galáxias muito distantes.
Abraços,
PS: logo após enviar esta mensagem pesquisei sobre experimentos com a massa do fóton e achei esta notícia que diz que a massa do fóton é esperada que seja zero mas alguns cientistas estão tentando provar qual seria a massa dele com uma balança ultraprecisa. Tudo que eles conseguiram foi estabelecere o limite máximo de 10 elevado a -51 gramas (1 sobre 1 seguido de 51 zeros) porém nada diz que ainda não possa ser zero.
http://www.aip.org/pnu/2003/split/625-2.html
http://www.phys.uni.torun.pl/~jkob/physnews/node35.html