Olá amigos!!
Acho que alguns moderadores não entenderam direito o objetivo do outro tópico. Por isso, farei uma nova tentativa aqui, postando um texto meu como
entrada (ou seja, ele não está desenvolvido porque a desenvoltura do assunto se deverá dar no próprio tópico) para o debate.
Minha justificativa é a de que, o próprio Eduardo, que é Administrador deste fórum, compreende e
aceita perfeitamente que as descobertas científicas acontecem sempre dentro de um dado
Paradigma Científico. Isto está claro lá no tópico sobre Einstein e Cesar Lattes, em que, devido a falta de tópicos como este, se chamaram o maior físico brasileiro de "esse tal de Lattes".
O texto é o que se segue abaixo
De Ptolomeu a Einstein: uma breve história da CosmologiaDurante séculos, desde Pitágoras a Galileu, acreditou-se no dogma do "círculo perfeito". Ora, um círculo é uma figura geométrica "perfeita", logo, os movimentos dos orbes celestes são circulares - argumentaram ao longo dos evos filósofos naturais de todos os tempos. Até mesmo Galileu perseverou na crença desse dogma infundado, mas que também gerou descobertas em outras áreas da ciência: graças ao dogma do Círculo Perfeito, o inglês William Harvey descobriu a circulação sangüínea.
Contudo, a tese de Copérnico em prol do Heliocentrismo demorou cerca de 100 anos para ser aceita. Por que? Não havia então, uma comprovação matemática a favor da teoria heliostática, ao passo que, o modelo singelo e bem estruturado do ponto de vista estético, por Ptolomeu, assegurava matematicamente que o Sol era que girava em torno da Terra. Dogmas... E isto perdurou, até que o astrônomo Johannes Kepler propôs que os planetas descreviam órbitas elípitcas e não circulares em torno do Sol, e com isso, Kepler comprova matematicamente a teoria heliocêntrica suplantando em definitivo o paradigma ptolomaico.
O vulgo, as pessoas em geral, têm uma visão errônea da ciência e de como ela "progride": pensam que os progressos na ciência se dão em termos cumulativos, à maneira de tijolinhos que são acrescentados na construção de uma casa, ou retalhos que são colocados para se tecer uma colcha; ou ainda, que a ciência seja um quebra-cabeças, e tudo que há de se fazer é juntar as partes desse quebra-cabeça.
Mas a HISTORIOGRAFIA e a HISTÓRIA DA CIÊNCIA veio investigar tudo isso mais a fundo, e a verdade é que a ciência atual, não é o resultado de um processo cumulativo de conhecimento. As idéias que se tiveram sobre o átomo, por exemplo, ao longo dos séculos foram as mesmas, a saber que ele é "a menor partícula de matéria e que compõe e estrutura toda essa matéria sólida e ponderável que os nossos sentidos percebem". A idéia de Éter (Fluido Cósmico Universal, Espírito da Natureza em Henry More, Espaço Absoluto em Isaac Newton), tem pelo menos 2.500 anos de existência, e, ainda no século XIX, cientistas renomados tentaram explicar a existência do Éter matemáticamente, até Einstein dizer que a sua existência era desnecessária. Não que ele provou que era falsa a teoria do Éter, mas apenas disse que ela era descartável no âmbito da estruturação da Teoria da Relatividade.
Do mesmo modo, a Teoria do Big-bang, formulada incialmente a partir da "teoria do Ovo Cósmico", pelo padre e cosmólogo belga Georges Lemâitre, prevaleceu sobre a teoria defendida pelo russo Alexander Friedman, que postulava um Universo Estacionário, e não Inflacionário como postula as mais de 50 versões da teoria do Big-bang, que fazem parte do Paradigama Dominante. Não que Friedman e outros defensores da Teoria do Universo Estacionário estivessem errados, mas que, como observou Tommas Kuhn, a teoria inflacionária se tornou o paradigma dominante, depois que Penzias e Wilson detectaram a Radiação Cósmica de Fundo, e também a partir da constante de Hubble em 1929, e com isso, "produziram" uma "prova experimental" para a teoria do universo inflacionário. A ciência pois, constrói apenas representações da realidade (ou não?), a partir de modelos teóricos e paradigmas dominantes, que são representados por uma COMUNIDADE CIENTÍFICA que está no poder, e portanto, pretendem que esse paradigma seja o correto em detrimento dos paradigmas marginais.
E aí, o que acham?Postado inicialmente aqui:
http://mascarasdedeus.forumeiros.com/t3 ... mologia#68 E, a partir desta entrada proponho:

Como se é feita as descobertas científicas em Astronomia?

O conhecimento astronômico que temos, atualmente, é definitivo?

Como se constrói novas hipóteses e teorias para o desenvolvimento da ciência astronômica?

O que são
comunidades científicas? 
O que é um
Paradigma Científico? 
O que são
Representações Simbólicas?
O tópico se justifica, na medida em que, somente o próprio Eduardo, naquele debate sobre Einstein e Cesar Lattes, soube explicar a contento que havia várias teorias antecedentes, como as de Henry Poincaré e as de Albert Riemann (matemática e física não euclidiana) que deram origem à Teoria da Relatividade, e que portanto, a ciência e as teorias científicas nunca são construídas isoladamente, por um único homem, mas elas sempre surgem em contextos culturais e científicos específicos.
Bom, ir além disto já seria antecipar uma série de coisas que cabem serem desenvolvidas no próprio debate. Peço desculpas, de antemão, pela singeleza do texto introdutório, pois que, como eu já disse, ele figura apenas como uma entrada para o debate.
Este debate é importante para esclarecer as pessoas sobre:

Como são e como foram, historicamente, construídos os vários paradigmas e teorias astronômicas e físicas

Como as teorias científicas sempre são construídas em contextos culturais, políticos, científicos e ideológicos entre outros.

Que todos podem se tornar cientistas na área da Astronomia, Física, Matemática e Cosmologia - bastando para isto, fazerem graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado e livre-docência em Universidades Públicas

Que a ciência é objeto de crítica assim como todas as demais instituições sociais
E enfim, para a divulgação da Astronomia enquanto ciência Que, enfim, este tópico não tem como objetivo denegrir ou criticar práticas e teorias científicas, mas, muito pelo contrário, torná-las claras, compreensíveis e acessíveis a todos.
É isso.
Abçs,