1 Matéria Escura Fria
A predição bem sucedida das abundâncias dos elementos
leves ( 4He, D, 3He, 7Li ) por nucleosíntese do
big-bang ( BBN ) representou um dos primeiros testes do modelo do
big-bang quente, que se consolidou como cosmologia padrão no final
dos anos de 1970.
Vimos anteriormente que o deutério serve como uma espécie de
``baryômetro'', uma vez que sua produção depende fortemente da
densidade de baryons. Em 1998, Tytler e Burles determinaram com
precisão a abundância de deutério primordial, o que permitiu,
juntamente com a estabilização da constante de Hubble em
H0=65±5 Km s-1 Mpc-1, uma medição acurada da densidade
de baryons: WB @ 0,045±0,01 ( em unidades de densidade crítica ).
Além disso, estimando a fração de baryons do universo com base
na razão de baryons para a massa total, medida em aglomerados de
galáxias com técnicas de raios-X e de SZ ( Sunyaev-Zel'dovich ),
obteve-se o resultado WB/WM @ 15%. Isto permitiu
estimar a densidade de matéria do universo em WM=0,35±0,07 ( em
unidades de densidade crítica ).
Isto significa que apenas 15% da matéria do universo é de natureza
ordinária ( estrelas, poeira, gás, prótons, nêutrons ) ou
bariônica. O restante é constituído por matéria escura
não-baryônica, sendo a contribuição de neutrinos massivos bem
menor do que se pensava, Wn @ 0,5%, a maior parte é
matéria escura fria, WCDM @ 35% ( neutralinos e axions ).
Até o início da década de 1990, os cosmólogos acreditavam
que o universo fosse constituído basicamente por matéria, sendo
que a contribuição da radiação de fundo para a densidade de
energia do universo ( W0 ), sob a forma de fótons e demais
relíquias relativísticas, é desprezível na era
atual ( WRAD ~ 0,01% da densidade crítica ). De acordo com a
cosmologia padrão, num universo constituído apenas por matéria
existe uma conexão entre a geometria do seu espaço-tempo e o seu
destino. Se W0=WM=1 ( geometria plana ) ou
W0=WM < 1 ( geometria aberta ) então o universo se
expandirá indefinidamente, enquanto que no caso
W0=WM > 1 ( geometria fechada ) o universo deve
recolapsar num big crunch.
Entretanto, por volta de 1998, com as medidas da anisotropia da
radiação cósmica de fundo e a descoberta do universo acelerado,
ficou claro que W0 ~ 1 e WM ~ 0,4 < W0. Estes
fatos revelaram a existência de uma energia escura,
não-gravitacional, responsável pelos 60% restantes da energia do
universo ( veja figura 4 ). Diferentemente da teoria do big-bang quente, numa cosmologia
estendida com energia de vácuo positiva, não há conexão
simples entre a geometria do seu espaço-tempo e o seu destino,
sendo possível, por exemplo, que um universo fechado expanda
eternamente.
Estes fatos recentes levaram os cosmólogos a reconsiderarem as
teorias inflacionárias com constante cosmológica que parecem
explicar bem as últimas descobertas.
2 O Cenário Inflacionário
Entretanto, atualmente parece certo que W0 ~ 1 e
WM ~ 0,4, de acordo com a reivindicação dos
inflacionistas de um universo plano(W0=1)com
WM < 1. De acordo com o modelo inflacionário, deve ter
havido uma força de repulsão cósmica antes dos primeiros
10-35s, quando o universo teria alcançado a elevada
temperatura de 1028K, na escala da GUT(Grand Unified
Theory). Esta repulsão teria causado uma expansão colossal do
espaço com velocidade superior à da luz, amplificando o universo
por um fator de cerca de 1060, numa fração de segundo entre
10-36 a 10-34s após o bang.
Esta inflação que aumentou o universo de um ponto quente e denso,
medindo cerca de 10-25cm(um trilhonésimo do raio do próton),
para a escala atual, cujo raio de Hubble é da ordem de 1028cm,
provocou também uma transição de fase da matéria. Este
super-resfriamento terminou separando a força nuclear forte da
força eletro-fraca, deixando um plasma quente de partículas
elementares(quarks, leptons, gluons, bosons W/Z e fótons).
A transição de fase, por sua vez, corresponde a uma quebra
espontânea de simetria associada a uma transição quântica
sofrida por um campo escalar que decai para um estado de menor energia
potencial. Isto é interpretado como um decaimento do vácuo para um
estado de energia potencial ainda menor, convertendo energia do
vácuo para uma radiação de fundo repulsiva permeando todo o
espaço. Esta energia potencial mínima do campo escalar sendo
constante, pode ser incorporada às equações de Einstein sob a
forma de uma constante cosmológica, representada por L, que
gera a força repulsiva causadora da inflação e é
interpretada como energia do vácuo quântico. Albert Einstein foi o
primeiro a introduzir o termo L em suas equações da
relatividade geral em 1917 para explicar o universo estacionário de
Hoyle, tendo considerado isto seu ``maior engano'', após tomar
conhecimento da expansão do universo, descoberta por Hubble.
Após a fase inflacionária, o universo entrou em seu regime normal
de expansão, de acordo com a lei de Hubble e, sendo esta energia do
vácuo dominante, como sabemos hoje(WL ~ 0,8±0,2), o
universo deve entrar num regime de expansão acelerada, e não
desacelerada como se pensou até meados de 1990. A inflação,
tendo ampliado uma região do espaço compreendida no interior de
um próton para uma da ordem de 100 Mpc, na escala dos
superaglomerados galáticos que estão se formando na época atual,
explica a razão do universo ser plano, uma vez que a região
infinitesimal, da qual nosso atual universo é uma ampliação,
era forçosamente plana. E como a inflação relaciona a
micro-escala subatômica à grande escala do universo atual, ela
também explica como as inomogeneidades primordiais na densidade de
matéria, que semearam a evolução da estrutura em larga escala
observada atualmente, teriam surgido a partir de flutuações
quânticas primordiais em escala subatômica.
De qualquer modo, todos os modelos inflacionários fazem três
predições testáveis: universo plano, um espectro
quase-invariante-de-escala de perturbações de densidade
gaussianas e um espectro quase-invariante-de-escala de ondas
gravitacionais. Como veremos adiante, a descoberta de mais de 120
supernovas de tipo Ia de ``red-shift''elevado juntamente com os
resultados das observações da anisotropia existente na
temperatura da radiação cósmica de fundo, efetuadas pelo COBE e
pelos balões Boomerang e Maxima, verificam as 2 primeiras predições das teorias inflacionárias.
Enquanto aguardamos ansiosamente a detecção de ondas
gravitacionais, parece não haver mais dúvidas acerca da
existência da inflação, tanto que o próprio Stephen Hawking,
um dos maiores adversários das teorias inflacionárias, declarou:
``Isto me levou a reconsiderar meus preconceitos teóricos. Agora
acho muito razoável que devesse haver uma constante cosmológica''.
3 O Universo Plano
Em 1989, o COBE ( Cosmic Background Explorer ) revelou uma concordância
precisa entre as medições do espectro da radiação de fundo
de microondas cósmicas e a esperada natureza térmica da radiação do big-bang, confirmando a imagem de que a matéria do
universo, por volta dos 300.000 anos após o bang estava, de fato,
num estado de plasma quente.
Por volta desta era, o plasma era tão quente e denso que os
elétrons livres espalhavam os fótons, reduzindo seu
livre-caminho-médio e tornando a matéria plasmática opaca. Mas
em 300.000 anos, aproximadamente, o universo esfriou o suficiente,
para que os elétrons pudessem se combinar aos prótons,
constituindo uma massa de gás hidrogênio transparente. Há 15
bilhões de anos que os primeiros fótons escaparam, no
``momento de último espalhamento'', sofrendo um subseqüente
alongamento de seu comprimento de onda associado, em virtude da
expansão do universo, até a escala de microondas atual.
Ocorre que durante as centenas de milhares de anos anteriores a esta
era, a luta da luz contra a gravidade criou ondas sonoras
estacionárias, viajando com cerca de metade da velocidade da luz
através do plasma. Com os fótons e a matéria carregada
fortemente acoplados, na época do plasma, a competição entre a
gravidade e a pressão de radiação produziu regiões de lenta
contração e expansão oscilatórias. Mas estas oscilações
geraram alterações locais da curvatura do espaço-tempo,
produzindo um ``desvio para o vermelho'' da radiação e fazendo o
fundo de microondas parecer mais frio naquelas direções em que o
``red-shift'' foi maior.
Os dados do COBE revelaram manchas frias e quentes ( veja figura 1 ), medindo cerca de
7°, correspondente ao diâmetro de 14 luas cheias, mas a
resolução máxima proporcionada pelo satélite( ~ 10°),
era insuficiente para detectar regiões menores. Estas perturbações gravitacionais estão associadas, evidentemente, a flutuações de densidade locais da matéria cósmica, no ``momento de
último espalhamento'', as quais representavam as sementes das
estruturas em larga escala do universo atual, como os aglomerados e
super-aglomerados galáticos, que se desenvolveram apenas
recentemente na história do universo. De acordo com as teorias
inflacionárias, estas flutuações de densidade teriam resultado
de perturbações quânticas em escala do comprimento de Planck
amplificadas por um fator de 1060, pela inflação.

FIG. 1 : Mapeamento da anisotropia da radiação de fundo com 10 minutos de arco de resolução do MAXIMA-1, revelando manchas de um tamanho médio de 1°.
Um avanço enorme nas pesquisas acerca da anisotropia da radiação de fundo ocorreu com os dados fornecidos pelo experimento
sustentado a balão chamado BOOMERANG ( Balloon Observations of
Millimetric Extragalactic Radiation and Geophysics ), que mapeou
apenas 3% do céu durante um vôo circumpolar de 10,5 dias ao
redor da Antártica em Dezembro de 1998 e janeiro de 1999. A estes
dados foram acrescidos os de outro experimento sustentado a balão,
MAXIMA ( Millimeter Anisotropy Experiment Imaging Array ), que refinaram
as primeiras observações da anisotropia do COBE, com resolução de 10 minutos de arco, revelando que as manchas quentes e frias
possuem, em média, uma largura de 1° ( 2 luas cheias ), de
acordo com as predições da inflação.
A análise dos resultados destas observações envolve o cálculo
do ``espectro de potências'' das flutuações térmicas,
ajustando os dados do mapeamento de temperaturas da radiação de
fundo de microondas cósmicas a uma série de harmônicos
esféricos. Então o quadrado do módulo da amplitude ajustada da
componente de harmônico esférico de ``l-ésima'' ordem é,
essencialmente, uma medida da flutuação de temperatura
quadrática-média local da radiação de fundo, numa escala
angular de cerca de 180°/l. Quanto maior a resolução do
telescópio de microondas, maior será a ordem l até a qual se
pode medir o ``espectro de potências''.

FIG. 2 : Espectro de Potências das flutuações de temperatura da radiação de fundo como determinada pelo Maxima, Boomerang e Cobe. A curva preta é um ajuste para o modelo de matéria escura fria com constante cosmológica ( LCDM ), com WM=0,35, H0=65 Km s-1 Mpc-1, WB@0,05 e n=1. A curva vermelha é um ajuste para o modelo LCDM com WM=0,40, H0=80 Km s-1 Mpc-1, WB@0,05 e n=1 ( n=1 corresponde a perturbações de densidade invariantes-de-escala ).
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A figura 2 mostra o "espectro de potências'' medido pelo Boomerang e
pelo Maxima. Ambos os experimentos exibem claramente o primeiro pico
acústico próximo a l=200, consistente com a previsão teórica
do modelo inflacionário ( exibida pela curva ajustada ), que fixa a
posição do primeiro pico na escala de
.
Isto constitui, então, uma medida da
densidade de energia do universo, fornecendo o valor W0 ~ 1.
Num universo composto por matéria, radiação e energia de
vácuo, por sua vez, o parâmetro de densidade W0
determina a geometria do espaço-tempo em larga escala, cujo raio de
curvatura é dado por
tal que, no limite quando W0® 1,
RCURV® ¥, resultando num universo plano.
Deste modo, os dados do COBE, Boomerang e Maxima verificaram 2 das 3
previsões básicas do modelo inflacionário; que o universo é
plano e existem perturbações de densidade capazes de explicar a
formação de estrutura do universo em larga escala. Está
agendado para o dia 30 de junho de 2001 o lançamento de um novo telescópio de microondas espacial,
chamado MAP ( Microwave Anisotropy Probe ) e, em 2007, a Agência
Espacial Européia lançará o satélite Planck. Estes 2
satélites fornecerão o primeiro mapeamento de alta-resolução
da radiação de fundo de microondas cósmicas, varrendo todo o
céu, e poderão detectar picos além da quarta ordem, fornecendo
um teste preciso das teorias inflacionárias. Enquanto isso,
prosseguem os esforços teóricos para amarrar a inflação às
idéias acerca da unificação das forças, especialmente à
teoria das super-cordas.
4 A Energia Escura
De acordo com a cosmologia padrão, o universo se originou com a
explosão de um ponto de densidade infinita, o big-bang. Mas devido
à atração gravitacional mútua entre as galáxias, núvens
de poeira e gás esperava-se que a expansão universal fosse
desacelerada, sendo que uma medida do parâmetro de desaceleração(q0) deveria fornecer uma avaliação da quantidade de
matéria do universo.
Entretanto, por volta de 1995, uma colaboração entre a ``Equipe
de Pesquisas de Supernovas de Alto-z''(da Universidade da
Califórnia, Berkeley), liderada por Brian Schmidt, e o ``Projeto de
Cosmologia de Supernova'', liderado por Saul Perlmutter(do
Laboratório Nacional Lawrence Berkeley) começaram a revelar uma
descoberta surpreendente. Eles descobriram que a expansão cósmica
é, na verdade, acelerada e, a medida precisa do parâmetro de
desaceleração(q0 ~ -0,5), juntamente com o fato do
universo plano(W0 ~ 1), mostraram que cerca de 70% da
energia do universo possui pressão negativa, gerando a força
repulsiva que causa a expansão acelerada. Os cosmólogos propuseram
mais de uma explicação para esta energia escura(como uma
``quintessência''), sendo que a explicação mais simples parece
ser uma constante cosmológica, prevista pela extensão
inflacionária da teoria do big-bang.
Dentro da nossa vizinhança cósmica local, a razão de expansão
do universo é constante, obedecendo a lei de Hubble. Isto é
conhecido com base em medidas dos brilhos aparentes de estrelas
especiais(como as cepheidas), cujo brilho intrínseco pode ser
determinado, fornecendo a distância até as galáxias contendo
estes luminares específicos. Determinam-se, em seguida, os
``red-shifts'' destas estrelas, os quais fornecem suas velocidades,
permitindo a construção de um gráfico v×d, que
apresenta um comportamento linear nas nossas imediações
cósmicas.
Ocorre que, ao tentarem determinar a razão de expansão do universo
há alguns bilhões de anos atrás, os astônomos tinham que
enfrentar o obstáculo empírico decorrente do fato de que quanto
mais longe estiver aquela estrela especial(como uma cepheida), mais
fraco o seu brilho aparente e, portanto, mais difícil de
detectá-la. Mas o que a ``Equipe de Alto-z'' e colaboradores
observaram foi que as estrelas supernovas de tipo Ia proporcionam uma
solução para a referida limitação observacional, permitindo
a determinação de (v,d) para galáxias de alto
``red-shift''(z).
As supernovas de tipo Ia são como bombas, liberando uma quantidade
incrível de luz num intervalo de uns 2 meses, sendo observáveis
a distâncias muito superiores àquelas de estrelas cepheidas, por
exemplo. A exata determinação do pico, na curva de brilho da
supernova, permite que os astrônomos calculem o seu brilho intrí
nseco e, conseqüentemente, sua distância até nós.
Até 1995, o número de supernovas de tipo Ia longínquas
observadas era pequeno e a maioria dos cosmólogos era cética
quanto à possibilidade de detecção destas estrelas em
quantidade estatisticamente relevante que pudesse estabelecer algum
desvio da lei de Hubble em alto-z. Mas, a partir daquela data, os
astrônomos do ``Projeto de Cosmologia de Supernova'' e seus ilustres
colaboradores mostraram que os céticos estavam enganados, sendo que
por volta de 1999, já haviam analisado mais de 120 supernovas de
tipo Ia longíncuas.
Os astrônomos do ``Projeto de Cosmologia de Supernova'' e seus
colaboradores tomam imagens de dezenas de milhares de galáxias
durante a lua nova, quando o céu está escuro. Algumas semanas
depois eles observam as mesmas regiões do céu e eletronicamente
subtraem pares de imagens umas das outras, revelando supernovas
brilhantes. Numa histórica orquestração de observações de
alta-tecnologia, vários telescópios terrestres, como o Keck e
Cerro Tololo, assim como telescópios robóticos e orbitais, como o
Hubble Space Telescope, cooperam na detecção da explosão de uma
supernova de tipo Ia, monitoração de sua curva de brilho e tomada
de seu espectro.
Os resultados recém divulgados(abril de 2001) da análise dos dados referentes à supernova SN 1997ff(a supernova de tipo Ia mais distante já observada, com mais de 11 bilhões de anos de idade), efetuada pelo astrofísico Peter Nugent dos Laboratórios Berkeley com o auxílio de um supercomputador IBM SP, deixam claro que as galáxias de alto-z se moviam
mais lentamente do que na época atual, ocasionando um desvio da lei
de Hubble a distâncias elevadas ( veja figura 3 ) que mostra que a expansão do universo é acelerada.

FIG. 3 : O Diagrama das magnitudes aparentes de supernovas Ia contra seus respectivos "red-shifts"(z) ( O dado de SN 1997ff com z ~ 1,7 e distância de cerca de 11,3 bilhões de anos-luz não está exibida ) . O diagrama inferior, corrigido eliminando-se a influência da "lei do inverso do quadrado", exagera as difentes inclinações das 3 curvas demonstrando claramente o acordo dos dados com o modelo LCDM.
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Com base nestes dados é possível medir o parâmetro de
desaceleração do universo que, num universo composto por
matéria, radiação e energia escura é dado por
desprezando a contribuição da radiação( < 0,01%), obtendo-se
o valor q0 ~ -0,5. Levando em conta o universo
plano(W0 ~ 1), vemos que este parâmetro determina
WX ~ 2/3, o que significa que, aplicando a fórmula
de equivalência de Einstein E=mc2, descobrimos que o universo
parece conter 2 vezes mais energia com pressão negativa(expressa
pelo sinal de menos na fórmula de q0 acima) do que sob a forma
de matéria.
Nas extensões inflacionárias da teoria do big-bang, a densidade de
energia escura(WX) é atribuída à constante
cosmológica tal que a medida de q0 ~ -0,5 determina
WL=WX ~ 0,7. Na teoria inflacionária, a
densidade de energia sob a forma de uma constante cosmológica é
interpretada como ``energia do vácuo''. Mas há outros
mecanismos que foram propostos para explicar a descoberta da energia
escura, como um campo escalar rolante, chamado de ``quintessência''.
Vimos que a descoberta do universo plano(W0 ~ 1)
juntamente com a descoberta do universo acelerado(q0 ~ -0,5)
implicam na existência de uma forma de radiação de pressão
negativa(WX ~ 0,7) que, por não ser gravitacional,
escapa dos aglomerados, permeando uniformemente o espaço e
conferindo ao mesmo uma espécie de elasticidade que causa a
expansão acelerada. Podemos esquematizar a composição
energética do universo no diagrama abaixo :

FIG. 4 : A Composição de Energia do Universo.
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Veja também a Primeira Parte deste artigo : A Matéria Escura .
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